terça-feira, 26 de abril de 2011

Fotografia Estenopeica

Recuperando um texto publicado na Revista ShareMag e numa altura que a Fotografia Estenopeica passa mais um "Worldwide Pinhole Photography Day" e a que uma exposição organizada por António Campos Leal no CDI_Maria José Salavisa em Óbidos, sob o titulo "ÓBIDOSpinholando" se associa na divulgação de um processo fotográfico em crescimento.

    ©Gregg Kemp 


  O domínio exercido pelo mercado da fotografia digital acaba reduzindo o interesse de quantos dedicando o seu tempo e interesse à Fotografia, temos que reconhecer, estarem mal preparados para desenvolverem produção interessante nas diversas áreas deste suporte. Os processos ditos alternativos nunca foram estimulados pelos mais ligados ao ensino das diversas especialidades e no que à Fotografia Estenopeica uns quantos apaixonados tendem a ser a voz que se quer fazer ouvir no ensurdecedor meio fotográfico.
De António Gonçalves a César Cordeiro várias foram as iniciativas ligadas à Fotografia Estenopeica antecedendo o seu Dia Mundial, que acontece sempre no último Domingo de Abril.
Um pouco por todo o lado várias referências podemos encontrar registadas nos eventos que a rede nos propõe.
António Campos Leal - A Magia Da Luz - Jornadas Estenopeicas - Dia Mundial da Fotografia Pinhole - Worldwide Pinhole Photography Day - The Magic Of Light/A Magia Da Luz, Jorge Pereira and Rui Cambraia - Large Size Pinhole Photography, César Cordeiro - Fotografia Estenopeica, Augusto Lemos - Workshop Pinhole, Imagerie/Casa de Imagens - Photography seen through a pinhole - Spontaneous Exhibition of Pinhole Pictures and Camera; em localidades que vão de Braga a Lagos passando pelas Caldas da Rainha, Vale de Figueira (Santarém) e Lisboa, acreditando mesmo que algumas outras localidades façam parte deste grupo mas que uma divulgação deficiente obstou ao conhecimento da actividade desenvolvida.
Esta actividade que vem sendo desenvolvida já desde alguns anos atrás pelo clube "Buraco de Agulha" no seio da comunidade ligada ao Instituto Português de Fotografia, como actividade extra-curricular e em iniciativa dinamizada por António Campos Leal. Formador no IPF tem estimulado e desafiado os interessados para uma prática mais intensa sendo ele mesmo produtor apaixonado deste tipo de processo alternativo. Processo em antítese ao processo digital, pela sua real aproximação aos velhos processos fotográficos, é pela utilização de suportes; papel fotográfico e película uma porta perfeita para que os que desconhecendo o "Processo Fotográfico" anseiam conhecer uma técnica que tem por base a razão elementar da formação da imagem.
Define-se como câmara estenopeica, aquela que não possuindo nenhum elemento óptico, permite que se forme uma imagem num plano colocado no trajecto interceptado por um orifício (estenopo), que substitui dessa forma o sistema óptico a que estamos habituados e que correntemente designamos de objectivas. Pensar-se que a objectiva é essencial para a formação da imagem é um erro. Pela técnica da Fotografia estenopeica é possível realizar imagens que correspondem a um regresso aos inícios da fotografia e em que o espírito criativo será propiciador de resultados deveras interessantes.
Dessa forma torna-se possível um melhor entendimento do processo, pois se a construção da própria câmara é trajecto de aprendizagem, cabe pois aos praticantes percorrer diferentes caminhos na concretização de projectos diversos, onde o próprio sistema digital pode ser incluído. Não deixa contudo de ser desafiador construir, a partir de caixas comuns de utilização variada, latas de bolachas, de chocolates, de tabacos, de... de... de... de qualquer coisa e pela aplicação de uma folha de alumínio sobre a qual se faz um furo de agulha a que a coloração preta transformará em utilizável "camara obscura" e em que posteriormente e pela colocação de papel fotográfico, o do tempo da alquimia, permitirá obter imagens de valor único.
Muitos séculos passaram sobre as diversas descobertas ligadas ao movimento da luz e da formação da imagem. Do século V a.C. chegaram-nos os primeiros escritos que referem o estenopo e o seus princípios básicos. Dos chineses se pode referir a sua descoberta de que a luz se propaga em linha recta. O filósofo chinês Mo Ti é mesmo o primeiro a constatar que a luz reflectida de um objecto forma uma imagem invertida sobre um plano ao atravessar um orifício. Contudo, a civilização ocidental através de Aristóteles, séc. IV a.C., na obra "Problemas", livro XV, 6, questiona do seguinte modo: " Porquê quando a luz atravessa um orifício quadrado, como por exemplo através de um trabalho de cestaria, não forma imagens quadradas?". Aristóteles levantou mais algumas questões sobre diversos fenómenos da Luz que permaneceriam mais algum tempo sem resposta. Será já no sec. X d.C. que o médico e matemático árabe Ibn Al-Haitam (Albazen), através de experimentações, verificou a formação de imagens, e a linearidade do trajecto da luz.
Alguns projectos de autor reflectem o valor da representação estética que à Fotografia Estenopeica deve ser atribuído. E, o entendimento de alguns na busca de uma definição tão próxima quanto possível da imagem produzida com o melhor dos sistemas ópticos, não me parece ser o mais importante da Fotografia Estenopeica. Caracteristicamente a imagem resultante da utilização de uma Câmara Estenopeica é o seu aspecto pontilhista e a existência de uma profundidade de campo que se pode entender como total.
A prática da Fotografia Estenopeica como área de acção pedagógica é só por si razão importante para uma divulgação intensa pois associado ao processo outras áreas podem ser parceiras de estímulos vários resultando numa aprendizagem enriquecida com componentes muitas vezes entediosas para os jovens.

Espaços na Rede a visitar:
muitos mais podiam ser indicados. Mas, a partir destes um mundo de informação está disponivel.

by António Campos Leal

sábado, 19 de março de 2011

ACTUALIDADE

O recente sismo no Japão e o consequente momento de terror que um Tsunami e um acidente que põe em causa a segurança de uma central nuclear centram as atenções de diferentes formas de produção de informação. A Fotografia é nesta altura um dos processos de retenção da memória que domina os acontecimentos. E, quem as publica tira daí os respectivos dividendos.

Uma foto ocupa km2 de impressão em papel, parece mesmo não haver outras. Um interessante debate surge então na relação directa com a profusão da repetida utilização da mesma foto.
"Petite rhétorique de l’image médiatique" por Audrey Leblanc,

http://culturevisuelle.org/clindeloeil/2011/03/18/petite-rhetorique-de-limage-mediatique/,  titula uma análise que não exaustiva sobre a questão. 

Diversas opiniões são apresentadas e em

http://www.strategies.fr/actualites/diaporamas/158313W/la-jeune-fille-et-la-mort.html mais uma pode servir de apoio a quem queira teorizar sobre a questão.





Perante o trajecto e a chegada desta fotografia aos leitores uma coisa me parece, ou há poucos fotógrafos e a agência tem o retorno que uma foto bem vendida proporciona. Ou os fotógrafos mexem-se pouco e acabam a olhar todos para a mesma coisa. Neste caso é mais fácil não enviar fotógrafos para o "milieu" das coisas. É mais fácil a venda a retalho e assim uma foto boa (?), porque nos apresenta um momento específico. Mas se até beijos foram encenados...
Reconheço a imensa capacidade de editores e responsáveis editoriais em utilizarem as imagens que mais naturalmente reflectem a intensidade do momento. E aí, desculpem mas numa primeira observação e até que me demonstrem o contrário, o fotógrafo orquestrou a situação. Quanto mais não seja o velho método. "Vai pr'ali." Nada a opor mas muito a desejar, para um discurso de dramatismo só faltou sujar o cobertor com um pouco de terra.

A fotografia está referenciada no lançamento


e tem esta apresentação no original

sexta-feira, 4 de março de 2011

The End of the Age of Photography

O percurso virtual é para mim uma viagem de sonho. Poder partir ao encontro de sítios, coisas e pensamentos e deles tirar ilações aprendendo a pensar a razão e o contraditório é a riqueza total. 
E donde a minha satisfação. Porque encontrei um "blog" a que me foi dado associar em pensamento.


Pois se o texto de que vos apresento a ligação, orienta muita da razão do meu pensamento fotográfico, razão de sobra para este prazer.
Tem por título "The End of the Age of Photography" e apresenta-se em três partes.
Gozem.


    António Campos Leal

A imagem híbrida : a síntese entre o universo fotográfico e o digital


Andre Luis Favilla


    António Campos Leal - entre o analógico

Titulando um trabalho de de Dissertação de Mestrado, da autoria de Andre Luis Favilla que vos proponho. 


Resumo: O presente trabalho tem como objetivo primeiro investigar o impacto das tecnologias informáticas sobre a imagem fotográfica. De um lado, acreditamos que a síntese entre a informação fotográfica e a digital defme novos modos de criação imagética, anteriormente inexistentes. De outro, entendemos que esta síntese altera profundamente a perspectiva de recepção destes signos visuais dentro da sociedade contemporânea. O esforço intelectual aqui materializado pretende circunscrever a problemática do signo híbrido além de cortes simplistas que, ora entendem que a imagem híbrida, ou fotografia digital, é um mero desdobramento tecnológico da imagem fotográfica; ora entendem que as novas tecnologias superam a imagem fotográfica, como se houvesse mesmo uma meta a ser atingida e, neste sentido, "a fotografia estaria morta". Sabemos da dificuldade em reduzir analiticamente o signo fotográfico vista a complexidade e amplitude de sua inserção na nossa cultura visual. A informação digital, acreditamos, adiciona complexidade à análise da imagem fotográfica; não podemos nem devemos simplificar o problema 

http://cutter.unicamp.br/document/?down=vtls000132157

    António Campos Leal - e o digital

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Persuação Revelada

Uma dissertação de mestrado em torno da questão da Fotografia na Publicidade
Persuasão Revelada
A subversão da mensagem publicitaria pela imagem fotográfica (Maurício Pinheiro da Silva)

                                          Oliviero Toscani


Uma proposta que aqui deixo que julgo será pelos possíveis leitores, apreciada.