domingo, 13 de junho de 2010

La parole des primitifs

Será possível a modernidade sem conhecer o início da Fotografia? Eu não acredito. E por isso aqui fica um trabalho que entendo servir a um melhor entendimento de um momento específico e a que por vezes, muitos dos que dão os primeiros passos na produção de "imagens" de raiz fotográfica não se aproximam.


Publicado em 1997, No3 Novembre 1997 : Frontières de l'image/Le territoire et le document,  em "Études Photographiques" é a proposta que aqui deixo para esta semana

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Fotografia

Durante anos aceitei como “dogma” ser valor assumido de uma fotografia o conter em si mais de mil palavras. Folheada página e mais página de muito boa literatura entendi o desnecessário acrescento de uma qualquer fotografia. Em contra-ponto, principalmente nos anos de adolescência, ficava entusiasmado quando num qualquer livro de uma qualquer aventura, via surgir a gravura como forma de ilustração.
Tornado apreciador de Banda Desenhada apreciei com prazer o discurso do texto ilustrado. Com o tempo não perdi o interesse, mas mudei meus hábitos de leitura.
Fruto de uma ligação que se intensificava, com o passar dos anos, às questões da Fotografia, o ensaio passou a dominar o espaço que dedicava à leitura.
Ensaio, teses de mestrado ou douturamento eram por assim dizer a ocupação de todo um espaço temporal e analítico que fizeram de mim, e a avaliação é minha, um interessado e talvez conhecedor das questões à Fotografia associadas. As modas, o valor, o entusiamo, a qualidade, as estéticas, o lixo, o que gostava e também o que detestava assentou num percurso feito pelo mudar das décadas, pela transição do século e daí de um milénio que viu surgir novas tecnologias nos mais variados campos e a que a Fotografia havia de estar associada.
A Fotografia muda de principio tecnológico. A Fotografia sustenta então a sua produção num meio tecnológico que altera intensamente a prática da mesma. O Digital surge e toma conta da quase totalidade do processo de produção da imagem dita Fotográfica.
Aos meios que até aí tinham servido a essa produção resta-lhes uma reduzida franja de realização originando encerramento e desaparecimento de marcas até aí dominantes no mercado. Durante algum tempo a vorajem dos dias vai assistir a convulsões de mercado que suscitam imensas dúvidas quanto ao futuro da hoje denominada Fotografia Analógica.
Antecedendo esta fase tinha sido meu entendimento que se o Futuro era Digital tal não significaria o funeral de um sistema que atravessara um século e estava ligado a grandes transformações do pensamento e da atitude do século XIX. Uma saída se me afigurava, o produto iria ter custos mais elevados, e as propostas seriam mais reduzidas. Mas a Fotografia que atravessara todo o sec. XX sobreviveria e até acreditava continuaria a dar-nos novas propostas. Assim aconteceu.
Os materiais destinados à produção de fotografia analógica surgem já não todos os dias, mas quase ciclicamente são apresentados novos materiais, uns para consumo de entrada com características muito interessantes para quem se inicia na magia da câmara escura outros de altissima qualidade fazem o seu aparecimento. E, se algumas marcas embelemáticas tiveram o seu desaparecimento, é quase desafiadora a forma como logo a seguir surgem projectos para dar corpo a novas propostas.
Assim, numa coexistência outrora impensável, encontramos grupos dedicados ao trabalho mais clássico, logo ao lado um outro grupo associa o digital à produção de ideias já vistas em outras épocas mas a que o tratamento com um qualquer programa de tratamento digital, vem abrir novos caminhos na sua execução.
O mercado vai gradualmente estabilizar nas propostas que apresenta (não é indiferente ao momento de crise económica que atrevessa) e assim teremos mais tempo para definir as àreas ou a temática que interessará mais a cada autor e permitindo ainda, dimensionar a importância de cada área de produção.
A Fotografia é um mundo para lá da rede e das redes sociais são biliões de imagens em circulação e a selecção será feita por forma a satisfazer interesses vários e que ultrapassam em muito o espaço da movimentação individual. A Fotografia está na sua hora H e o autor vai ter de desbobrir o seu dia D.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A Fotografia e o Acaso - Ronaldo Entler


Muitos e variados textos fazem as delícias do meu pensamento fotográfico. Alguns pelo seu maior interesse ou desafio (opção pessoal é certo) vão aqui sendo destacados. Este é por certo destinado a provocar intensas interrogações.


http://libdigi.unicamp.br/document/?down=vtls000093499

domingo, 14 de fevereiro de 2010

inside _06_msr_08

Desafio sinto ao redigir estas leves linhas sobre o trabalho desenvolvido por Domingos Caldeira, Francisco Feio, Luis Carvalhal, Luisa de Sousa e Miguel Saavedra membros do grupo “equivalentes” a que Luis Carvalhal adicionou a sua visão gráfica.

Tenho pautado a presença neste “blog” por registos de endereços que nos lançam ao encontro de textos teóricos sobre a “Fotografia”, hoje arrisco-me a escrever dessa mesma fotografia. Da fotografia que os autores em causa nos mostram no seu trabalho _06_msr_08 _fotografia.

Obra.

Grande e interessante a obra que serve de base ao trabalho desenvolvido pelo conjunto de fotógrafos que fazem parte do grupo "equivalentes", e que em torno do trabalho de recuperação do museu de S.Roque desenvolveram um auspicioso percurso temporal e imagético.

Trabalho de altíssima qualidade o desenvolvido a que uma leitura pessoal de cada autor não provoca desiquilibrio quanto ao todo e a que a apresentação final, em livro, se enriquece num trabalho gráfico de grande qualidade.

O percurso, que através dos autores nos é proporcionado, além de assumir o controlo temporal dos factos, conduz-nos num trajecto emocional em que a Luz marca o discurso da imagem como que aguardando o esplendor final. De um rigor quase métrico o trabalho é de grande precisão sem se tornar rigido tornando mesmo belo o que a Luz não mostra.

O percurso pelas cerca de 200 páginas de fotografias são de uma coerência sem mácula. Quase acompanhando um divino percurso a que não falta para satisfação dos mais professos, a sensação de um tempo de peste, pela presença de panos como que envolvendo corpos a que não faltará a redenção da Luz.

Espaços vazios, aqui e ali planos marcados pela suave presença delimitadora de uma Luz afirmando a redenção futura. O Sacro envolto em panejamento protector. O vislumbre da rotura para prenúncio de uma gloriosa ressurreição. Portas entre-abertas, recantos de memórias e a Luz percorrendo contornos anunciadores de mudança.

Uma constante representação de um momento específico que antevê na sua existência morte anunciada para benefício de ressurreição prometida.

Pedaços de Luz quase sem limites para lá de um diluir quase respirado. Ou serão sussurros de corpos atacados pela peste de que quase se sente o odor bafiento pulsando calores húmidos e sempre esperando o brilho de dourados que por fim explode das mãos restauradoras de cores e Luz. Aí, qual sacrilégio, o humano ganha o direito de favorecer a representação do Dívino, intensificando a força incandescente da Luz que no dourado ganha novo fulgor, antecedendo o percurso, finalmente despontando, em linhas que marcam trajectos protectores de habitantes silenciosos.

Silenciosos, que não mudos.

Pois se repovoado foi o espaço a que a peste deu origem e a Luz saiu vencedora sobre os desígnios de uma morte a que o trabalho dos homens deu nova vida.

O discurso de um interior em mudança, tornado presente em continuação de passado, para futuro de um presente registado através da Luz essa sim que transforma através da Fotografía o passado em futuro feito presente.

Refiro ainda o equilíbrio entre os autores, que poderiam através de linguagem pessoal anterior, desiquilibrar o discurso do presente trabalho. Percorrer as diversas páginas em que um muito agradável conjunto de trabalhos foi deliciosamente observado em sintonia perfeita (a grande aproximação ao meu tema de eleição - o interior e a sua relação com a Luz) tornou ainda mais enfática a apreciação do material proposto pelos autores e estimulando um olhar que percorreu deliciado o conjunto de fotografias proposto no interior do museu de S.Roque e que nobremente acompanham o riquíssimo património aí exposto.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Apenas - Um sitio fantástico

© Keith Johnson. Untitled, 2000. 15 x 15 inches. Chromogenic color print. Keith Johnson acts as a visual anthropologist who examines the bizarre and comical banalities of roadside attractions through color, form, and ironic happenstance.

Deixo-vos com o "link" e sem nenhum comentário. A avaliação será vossa.